segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Migalhas

Migalhas
sinto uma vontade de morrer
ao ouvir tua voz tão fria ao telefone
sei alguém estar por perto
desejei esconder o que me consome
mas tu silencias a voz
de maneira tão formal
eu sei é alguém do outro lado da linha
executando o meu final
prometi da outra vez
que seria a última
que não suportaria mais tal dor
como eu não me escuto
atendi agora e te chamei de amor
não acredito que solidão tenha me escolhido
que não se repita tal covardia entre os meus
pois quisera não mais suportar
a esperança em migalhas
porque serei firme mesmo com as
quedas de tuas muralhas
não muito distante
me jogaram num poço
e eu achei que tu iria me buscar
bebi toda água
fiquei tosca
foi pura ilusão
cá estou a me afogar
rasgam-se os céus
rasgam-se os véus
dos teus olhos
para que possas me ver
de uma forma diferente
incendeiam-se as nuvens
incendeiam-se as palhas
todo absurdo
é me conter com tuas
migalhas!