Natais e amigos em tempos de
internet...
Exponho fragmentos de uma
cartinha informal à um amigo que insistiu que eu publicasse, segundo ele,
contém gotas de ternura que podem refrescar um começo de ano e nos conduzir a
um novo natal, já que a ciranda do tempo segue implacável...
“ Querido
amigo, eu reapareço pra dar-lhes
notícias. Afinal faz um tempão que não nos falamos, sinto saudades como sempre...
Nesses tempos de internet sinto falta de exercitar minha caligrafia em longas
cartas, nos velhos aerogramas ou cartões natalinos que eu dedicava às pessoas
especiais. Já nem se tem aquela listinha de endereços postais, números de
telefones fixos, agenda física, em papeis amarelados, ah! essas coisas de
gente mais natais...
Por conta
do que chamei de saudades, devo me contentar com as vantagens desse mundo
virtual e contemporâneo. É, eu até gosto dele sim, porque posso lhe escrever o
tempo todo e me sentir mais perto, imaginando suas expressões ao ler essas
palavras, sem ter que esperar o tempo dos saudosos carteiros que hoje só
entregam contas e faturas. Não sei como resistem!
A mamãe
disse que eles passam aqui as terças e quintas, mas nenhuma novidade além das
minhas contas e faturas. É certo que sinto falta até das minhas revistas
de artes, agora até elas sumiram! Ah! Amigo, não renovei as assinaturas
concluo! Mas continuo a esperar que os carteiros tragam algo todas as semanas,
além das minhas contas. Nada se compara a emoção de abrir cartas, cartões,
presentes! Nossos olhos brilham e mesmo sabendo de quem é, ou o que são,
fingimos nos surpreender só pra agradar ao nosso íntimo! O ser humano é
fantástico!”